Conduzindo a adoção de IA na logística: por que construir sobre a sua base tecnológica atual é fundamental

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Conduzindo a adoção de IA na logística: por que construir sobre a sua base tecnológica atual é fundamental

  • A inteligência artificial generativa (IA) tornou-se um dos temas mais comentados no setor de transporte e logística. Embarcadores, corretores e provedores de serviços logísticos terceirizados (3PLs) estão ansiosos para utilizá-la em busca de eficiência e redução de custos. A 9ª Pesquisa Global de Referência em Gestão de Transporte da Descartes revelou que 96% das empresas entrevistadas já utilizam IA generativa em alguma parte de suas operações, mas apenas 17% afirmam estar totalmente automatizadas e otimizadas.
  • O estudo mostrou que empresas com alto nível de automação também apresentam melhor desempenho financeiro: mais de 50% das companhias com resultados líderes de mercado são totalmente automatizadas, enquanto apenas 8% das empresas com desempenho abaixo da média afirmam o mesmo. Além disso, empresas com melhor performance utilizam IA em múltiplos processos de transporte com muito mais frequência que as de baixo desempenho.
  • A diferença entre o entusiasmo gerado pelas startups de tecnologia e o uso real da IA nas empresas revela uma verdade importante: a verdadeira transformação não virá de um aplicativo isolado ou ferramenta pontual, mas sim da integração estratégica da IA aos sistemas e fluxos de trabalho de gestão e visibilidade do transporte já existentes.
  • IA como extensão, não substituição
  • A maioria das operações de transporte é sustentada por um conjunto de tecnologias que inclui sistemas de gestão de transporte (TMS), plataformas de visibilidade, sistemas administrativos e de análise. A abordagem mais produtiva é integrar a IA a esses sistemas, em vez de acrescentar aplicativos desconectados ou substituir infraestruturas centrais.
  • Isso significa usar IA para resolver problemas claros — automatizar inserção de dados, substituir tarefas por telefone e e-mail, otimizar planos de carga e gerenciar a alocação de capacidade — dentro das plataformas que as equipes já dominam.
  • Essa abordagem reduz atritos na implementação e acelera a adoção pelos usuários. As equipes continuam trabalhando em fluxos conhecidos, enquanto a IA aumenta a eficiência em segundo plano. Além disso, envolver os times desde o início no desenho dos processos impulsionados por IA fortalece a confiança nos resultados e reduz retrabalhos. O resultado é uma tecnologia que complementa a expertise humana, em vez de competir com ela.
  • Por que parceiros tecnológicos consolidados são importantes
  • Startups de IA estão em toda parte, mas nem todos os fornecedores são iguais — e, quando se trata de operações críticas como transporte, a experiência e a estrutura de suporte do parceiro tecnológico são fundamentais. Fornecedores consolidados oferecem vantagens significativas sobre startups no momento de implementar, sustentar e escalar soluções de IA:
  • Conhecimento do setor: empresas consolidadas entendem as complexidades do transporte de cargas e já implementaram soluções em centenas ou milhares de clientes. Suas ferramentas de IA são construídas sobre necessidades operacionais reais, não em teoria.
  • Integração e suporte: fornecedores maduros já estão conectados aos sistemas de retaguarda e redes de transportadoras dos clientes, o que reduz o atrito de integração. Também contam com equipes robustas de suporte e implementação.
  • Viabilidade de longo prazo: logística é um setor crítico. Fornecedores estabelecidos oferecem estabilidade financeira, investimentos contínuos em P&D e histórico comprovado de evolução tecnológica.
  • Startups, por outro lado, frequentemente enfrentam limitações de suporte, lacunas de integração, incertezas no retorno do investimento e risco de desaparecimento em crises de financiamento — um risco alto para operações essenciais.
  • IA prática em ação
  • O estudo também revelou as áreas em que as empresas aplicam IA atualmente: automação de inserção de dados (41%), otimização de rotas e cargas (39%), previsão de frete baseada em IA (35%), alocação de capacidade (35%) e chatbots de atendimento ao cliente (34%). Outros usos incluem precificação dinâmica (27%), sistemas de segurança do motorista (26%) e agendamento de docas e gestão de interrupções (23%). Apenas 4% das empresas afirmaram não utilizar IA (Figura 2).
  • Divulgação
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  • Essa diversidade de aplicações mostra que as empresas buscam soluções práticas e cotidianas, não inovações abstratas. Automatizar a entrada de dados reduz erros e libera tempo das equipes. Otimização e previsão melhoram o planejamento. A alocação de capacidade acelera o fechamento de cargas. E os chatbots diminuem o volume de ligações e e-mails de status.
  • Esses casos de uso têm em comum o fato de funcionarem melhor quando integrados aos sistemas centrais, como o TMS e as plataformas de visibilidade. Quando a IA é incorporada a esses fluxos por fornecedores consolidados, as empresas capturam valor imediato com mínima disrupção.
  • Mantendo uma visão estratégica
  • Para maximizar o retorno dos investimentos, as empresas devem manter o foco em resolver problemas reais, e não apenas adotar tecnologia nova. É essencial começar pelos gargalos operacionais, escolher soluções de IA que os enfrentem diretamente e implementá-las dentro dos sistemas já confiáveis. Igualmente importante é escolher parceiros com escala, suporte e longevidade capazes de entregar valor duradouro.
  • Empresas com histórico comprovado de implementações bem-sucedidas e um roadmap tecnológico sólido estão em posição privilegiada para ajudar embarcadores, corretores e 3PLs a aplicar a IA de forma eficaz e sustentável.
  • Conclusão
  • A IA na logística não se trata de seguir tendências, mas de integração estratégica com sistemas e fluxos existentes. As empresas que estão incorporando IA aos processos centrais de transporte já observam ganhos em custo, produtividade, prevenção de fraudes e atendimento ao cliente.
  • Para embarcadores, corretores e 3PLs, o caminho está claro: deixe a IA operar sobre os trilhos já construídos. Com os parceiros certos e uma estratégia sólida, a IA torna-se uma extensão natural das operações logísticas — e uma verdadeira força de vantagem competitiva.
  • Mike Hane é Diretor de Marketing de Produto para Gestão de Transporte na Descartes.