A expansão dos medicamentos para emagrecer à base de GLP-1, moléculas como semaglutida e tirzepatida, presentes em canetas injetáveis como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, deixou de ser um fenômeno restrito ao setor farmacêutico e já aparece nos dados de comércio internacional de outras indústrias, à medida que fabricantes de alimentos, bebidas e distribuidores se reorganizam para acompanhar a mudança no comportamento do consumidor. Dados da Descartes Datamyne, plataforma de inteligência de comércio internacional, mostram que as movimentações desses medicamentos na América Latina somaram mais de US$ 889 milhões entre janeiro e junho de 2026, considerando operações de importação e exportação internacional.

Na América Latina, o México concentra a maior parcela do valor movimentado, com US$ 520 milhões (58,4% do total). Na sequência aparecem Chile (US$ 89,7 milhões, 10,1%), Paraguai (US$ 59,3 milhões, 6,7%), Colômbia (US$ 48,6 milhões, 5,5%) e Peru (US$ 25,9 milhões, 2,9%). Juntos, esses cinco países respondem por praticamente todo o valor movimentado na região, uma concentração que sinaliza poucos polos de distribuição atendendo a uma demanda crescente, e que exige atenção redobrada de fabricantes e operadores logísticos que ainda não têm presença consolidada nesses mercados.

Distribuição do valor movimentado por país na América Latina | Fonte: Descartes Datamyne

Os dados também revelam uma cadeia de fornecimento concentrada na origem: a Europa é o principal ponto de partida do valor transacionado, com destaque para Dinamarca (49,8%) e Itália (38%). O transporte aéreo responde por cerca de 59,6% do valor importado para a região, contra 34% do modal marítimo. Essa combinação, poucos países de origem e dependência do transporte aéreo, deixa a cadeia mais vulnerável a qualquer gargalo logístico, regulatório ou de capacidade em um único elo, um risco que cresce junto com a aceleração da demanda.

“Quando uma categoria cresce nessa velocidade, olhar apenas para os números de vendas não é suficiente. É preciso entender onde essa cadeia está concentrada, quais mercados estão ganhando relevância e onde estão os pontos de maior exposição a risco. Essa inteligência permite que as empresas se antecipem, em vez de reagir quando uma tendência já virou uma pressão operacional”, afirma Helen Abdu, Gerente de Vendas LatAm da Descartes.

O crescimento da categoria também começa a pressionar setores impactados indiretamente, como o de alimentos e bebidas: com a mudança no apetite do consumidor, fabricantes já reavaliam portfólios e volumes de produção para categorias historicamente ligadas a excesso calórico. Acompanhar como o comércio internacional de GLP-1 se movimenta, de onde vem, para onde vai e por qual modal, dá a essas indústrias um indicador antecedente da própria demanda que estão prestes a perder ou precisar substituir.

A Descartes Datamyne reúne dados de comércio internacional para apoiar empresas na identificação de oportunidades de mercado, análise de concorrentes, mapeamento de cadeias de suprimentos e localização de potenciais clientes, fornecedores e parceiros.